17/05/2006

Pedofilia: Diga NÃO

Após 10 anos trabalhando com internet, tive a infelicidade de me deparar com uma denúncia, um funcionário me perguntando como fazer para rastrear um portal de pedofilia para denunciar aos órgãos competentes. Foi grande a minha indignação ao acessar o portal no intuito de fazer um rastreamento para ajudá-lo a denunciar, primeiro porque acabei achando uma verdadeira rede de exploração de crianças, depois porque sou um profissional que tem na internet a base do meu ganha pão.

Fico muitas noites em claro, trabalhando como louco para manter minha empresa, pagar meus funcionários, conseguir pagar meus impostos sempre atrasados, enfim, é o meu sustento e o de mais 6 funcionários. Essa luta incessante torna inconcebível a idéia de ganhem e movimentem milhões de dólares explorando o que há de mais nobre e mais puro no mundo as crianças. Não só as brasileiras mas todas as que estão expostas a ação de inescrupulosos que enchem os bolsos alimentando a insanidade de milhões de pessoas que vivem no nosso meio sem que as percebamos.

O lamentável no crime virtual, é que nós cidadãos trabalhadores, cibernautas ou não, nos tornamos intimamente ligados a essas práticas ao descobrirmos e não denunciarmos. Como apenas dois exemplos de ações que poderiam ser praticadas por nossos grandes representantes, esses crimes seriam substancialmente reduzidos em nosso cotidiano. Como? É Simples:

1 - Os domínios (endereço na internet) registrados na internet, geralmente são controlados por órgãos ou do governo ou ligados a ele, a exemplo do Brasil, onde os domínios são atualmente gerenciados pelo Comitê Gestor de Internet no Brasil (www.cgi.br), nos Estados Unidos o ICANN Internet Corporation For Assigned Names and Numbers (http://www.icann.org), na Ásia a APNIC - Asia Pacific Network Information Centre (http://www.apnic.net/), etc. Órgãos como esses poderiam ser os maiores combatentes de websites de pedofilia. Há que se levar em consideração que os portais de pedofilia geralmente criam mecanismos de redirecionamentos, e que os registros são geralmente efetuados fora das áreas de jurisdição do país onde funciona a base de seus negócios na tentativa de dificultar suas localizações, esses órgãos podem criar mecanismos eficientes de localização e combate a prática desses crimes. Quanto a jurisdição, creio que as polícias federal, secreta, FBI, Interpol estão aí para garantir que criminosos que se julguam espertos sejam presos e punidos.

2 - Empresas e instituições financeiras como a Visa, a Credcard e a American Express as quais somos clientes, mesmo que por imposição do mercado, deveriam ter um departamento fiscalizador para saber em que práticas seus nomes estão sendo envolvidos. Um cibercrime de exposição pedófila, em sua grande maioria acontece pela comercialização de acesso a fotos e filmes e o que viabiliza o negócio, os pagamentos com cartão de crédito que fora do Brasil são usados em praticamente todas as transações on-line. É interessante observar que muitas dessas transações acontecem em tempo real, ou seja o pedófilo assina o serviço e já tem os valores debitados em seus cartões automaticamente, ali na hora. E o que as financeiras têm a ver com isso? ‘Nada’, porque para elas o que vale é a isenção de responsabilidade geralmente expressa em contrato. Lembra da responsabilidade social que geralmente declarados em suas missões, visões ou objetivos? Pois é. É tudo uma questão de mensurar o quanto vale ter o nome da instituição vinculado a ações repudiadas pela sociedade. Com algum investimento, elas poderiam monitorar e cancelar a prestação de serviços desmontando a estrutura funcional de grande parte desses criminosos.

Com alguns investimentos os personagens chaves do comércio através da internet como governo e financeiras poderiam criar mecanismos de denúncias, de fiscalização e de combates eficientes, acabando com a ação de organizações que usam a pedofilia como uma prática comercial.

Nenhum comentário:

Postar um comentário