Assistí com grande interesse - calma não sou advogado e nunca fui ao Rio de Janeiro - ao depoimento dos advogados sr. Sérgio e sra. Cris à Comissão de combate ao tráfico de armas. Pensei, agora sim eles fizeram o que sempre esperamos, pegaram um culpado, ao ver divulgado pela imprensa a voz de prisão ao sr. sérgio suposto advogado do Comando Vermelho. Confesso que me frustrei com o motivo e a reação dos parlamentares que compunham a comissão quanto a colocação do sr. Sérgio, quando se referiu a Câmara Federal como sendo uma 'escola dos de péssimos costumes'.
Com todo o respeito aos parlamentares que compunham a sessão, pois admiro a atuação exemplar de muitos deles mas algumas coisas me supreenderam:
a) O Parlamento Brasileiro está longe de ser uma casa de exemplo de dignidade para servir como referência ao cidadão brasileiro, a exemplo do que temos visto na casa: aumento do próprio salário, articulação para não votar assuntos de interesses da sociedade por ser de interesse ou não do governo, auxílios absurdos, contratações de parentes, denúncias de corrupção, de fato, o Parlamento Brasileiro tem se mostrado uma verdadeira escola a nos meros cidadãos;
b) A conotação que perceci de um parlamentar dizer ao Sr. Sérgio - não me acostumei a charmar de doutor alguém que não tenha PHD -, 'olha você é um zé ninguém', ao chamá-lo de 'advogado de porta de cadeia'. Isto porque são os parlamentares quem definem os direitos e deveres de todos os cidadãos brasileiros, logo foram eles quem definiram que todos os detentos têm direito a um advogado e que se um o indivíduo não tiver condições de pagar, o estado providenciará a sua defesa. Logo imagine a cena: você é um medicozinho de porta de PS, ou um Professorzinho de escola pública.
c) Até onde eu saiba a política, o futebol e a tv são as formas mais fáceis de se transformar um 'cidadão comum do tipo zé ninguém' em personalidade, desde que se tenha talento para tal. NO caso da política, basta ter muito dinheiro ou muita popularidade. Quantos analfabetos e semi-analfabetos ocupam as nossas câmaras municipais, distritais e federais, ou ainda as nossas prefeituras e governos. Até o nosso presidente da república não é graduado, mas nunca ví uma pessoa destratar uma outra como ocorreu naquela sessão. O Parlamento Brasileiro pela sua diversidade intelectual deveria ser mais uma vez um local de respeito mútuo entre parlamentares e cidadãos.
Quanto a minha frustração, espero que numa próxima ocasião em que venha ouvir dizer que foi dado uma voz de prisão no nosso parlamento, que seja por um motivo um pouco menos fútil ou sinceso.
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